sábado, 23 de novembro de 2013

Era uma vez...

Uma menina que sempre foi diferente.

Na verdade, passados alguns anos, ela percebeu que ser diferente era, na realidade, ser especial. Mas esse foi um processo moroso e até um pouco doloroso.
Essa menina cresceu sempre muito certa de tudo o que queria, era sonhadora, lutadora e determinada; queria ser muitas coisas quando crescesse, queria ter o que a maioria das meninas quer; mas não teve. E achava certo que, embora fosse difícil, iria ter tudo o que sempre sonhara, mas também não teve. Em suma, era uma menina diferente mas não deixava de ser feliz!
Durante a sua infância essa diferença nunca a havia incomodado, na verdade essa diferença - para além das quatro paredes do seu quarto - não se notava. Depois chegou a adolescência e aí tornou-se evidente: havia algo! Era notório que algo não estava certo, havia tanta coisa no mundo do qual ela não fazia parte, coisas que não podia fazer, coisas que queria muito mas que não dava para ter, lugares simples onde queria ir e não podia, pessoas que não a viam ou quando viam era para gozarem com a sua diferença. E aos poucos, muito aos poucos, devagarinho, tudo mudou...
A menina deixou de ser criança, a adolescente sobreviveu e cresceu, os sonhos ficaram pelo caminho, as forças escassearam e ao fim de muitos anos viu que de todas as privações, as muitas lágrimas ingratas, os falsos amigos, as coisas que não fizera, tudo.. Tudo tinha um sentido! E no dia em que ela percebeu isso, o pânico apoderou-se do seu mundo e ela chorou amargamente... Nesse instante, voltou a ser menina e viu com clareza que, foi no momento em que se desviou daquilo que era a sua diferença que deu real valor a uma proteção especial que sempre teve, que muitas vezes invocara mas a quem nunca deu o devido valor. Deus mostro-lhe, o quanto era especial!
 
"Cada uma de nós foi colocado no sitio certo para fazer o que lhe é destinado." 
 

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