sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Simplesmente porque sim...


Porque eu quero, que o dia em que o meu caminho por esta terra termine, seja totalmente diferente... Porque eu quero partir, sabendo que me mantenho viva na memória, no sorriso e no coração de algumas pessoas... Não preciso que seja em muitas, quero estar apenas e para sempre na vida de algumas... E esses "poucos" saberão quem são!
Nesse dia, venha ele quando vier, quero coisas aparentemente estranhas, mas que me farão ir em paz! Quero que não me chorem por pena. Mas, talvez quem sabe, por saudade, carinho e amor, quero (se houver quem chore!) lágrimas sem gritos, alaridos e falsos lamentos... Quero estar apenas e só entre a família (de sangue e do coração) e os meus verdadeiros amigos, quero muito que estejam junto a mim apenas aqueles que me estimaram, amaram, admiraram e acarinharam enquanto foi possível... Todos os outros, não cumpram o vil preceito de ir dizer "coitadinha! era tão boa pessoa..."!
Nesse dia, que será o meu dia, quero que o preto dê lugar às cores normais, às cores preferidas dos que me queiram acompanhar... Quero a normalidade, mas não quero nada do que é normal nestes dias... Não quero coroas de flores. Só quero mesmo as flores, simples ou em ramos, sem os tradicionais saquinhos "para os mortos"... Não quero sinos tristes a tocar a minha morte, mas sim os sinos de festa (irei para a casa do Senhor!)... Quero uma missa "de despedida", breve, como se de "um até já" se tratasse... Quero que seja o meu amigo, o Pe JS a celebrá-la e a "fazer-me um funeral bonito", quero cânticos "de guitarrada" e um salmo [com] sentido... 
Nesse dia não quero as normais anedotas, nem as parvoíces ditas para distrair a dor... Quero que se riam de mim, das minhas histórias, dos momentos que vivi, daquilo que eu era e/ou fazia... Não quero grandes preocupações com o que me vestir e quero muito ir descalça. Sim, leram bem: eu - que amo sapatos - quero ir descalça! Foi assim que vim a este mundo e é assim que quero ir... Descalça.
No meu último dia, se ainda tiver a minha mãe, peço que a apoiem, que lhe mostrem o quanto fui feliz e que não a deixem só em momento algum... Caso ela já não esteja entre vós, assim como quem não quer a coisa, coloquem uma foto dela junto do meu corpo. Tenho medo de não a relembrar para onde vou e assim, levo-a comigo...
No meu último dia, gostava que aqueles que de mim gostam, pudessem parar um tempo a contemplar a escuridão da noite, a olhar o céu e aí sorrir para as estrelas... Quando eu era criança e me afastava ou perdia alguém especial era o que eu costumava fazer e, de certa forma, as coisas atenuavam os sentimentos.

E isto surge hoje aqui, simplesmente porque sim... Simplesmente porque a morte tem que ser encarada de frente...

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