quarta-feira, 31 de maio de 2017

Tia em desespero #12

Já não escrevo por aqui sobre o "meu ratinho" desde junho de 2015, data em que recordava que as coisas estavam francamente melhores na escola e que o sucesso era o caminho... Hoje este caminho está mais largo e possível de percorrer. Mas, a vida vai ter sempre altos e baixos e o meu pobre bichinho sabe bem disso! 
Já soa estranho ser e, sobretudo, dizer "o meu ratinho" pois ele está francamente maior que eu... O que é feito dos 800 gramas de gente que eu conheci um dia? Não sei se devia, mas tenho tantas saudades desse tempo... Tenho saudades de o carregar ao colo e de me emocionar ao sonhar para ele tudo o que de melhor o mundo teria para lhe dar! Mas o mundo dos miúdos é muitas vezes consequência dos atos não pensados dos adultos e este mundo é tão pouco justo para as crianças. Estas, e o meu ratinho em especial, só deviam ter coisas muito boas!!!
Mas, e apesar de tudo, ainda quero manter - a custo de uma grande dose de teimosia - o copo sempre meio cheio e não o contrário! Por isso, a vida vai me dando também a hipótese maravilhosa de ser a tua "tia quase mãe", e eu vou aproveitando cada instante como se de um tesouro único se tratasse... Aliás, é um tesouro único!
São muitas as vezes em que nem sempre tudo corre como nós queríamos, chateio-me com ele muitas vezes porque é desorganizado, esquecido e um pouco p-o-r-c-o (ups! vais crescer traumatizado sobrinho!!!). Mas é a verdade! Eu ralho-lhe quando nos cadernos encontro desenhos por toda a parte, rabiscos que não são mais do que provas de distração e uma letra tão ilegível que temo pelo seu futuro... Fico triste sempre que ele chateia a tia, que grita (quando não são coisas piores) com a avó e que finge que não ouve o que eu digo. Fico louca quando reclama do comer que está na mesa e depois come que nem um condenado. (...) Mas, depois derreto-me ao ver o miúdo grande que está, atencioso com os mais velhos, preocupado com os problemas dos outros, sensível ao mundo em seu redor...
Mas, no fundo, sei que tenho muita sorte! A vida juntou-nos e eu, sempre soube, desde o dia em que vi o meu pequeno rato cabeçudo e feio que iria cuidar dele de um modo especial. E hoje desespero-me cada vez menos.  

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